DR. CONSTANTINOS DIMITRIOS LAMBRINIDIS

Informações em gotas:
* Apontadores a laser devem ser usados com cuidado. Teoricamente, a exposição a uma energia de laser de classe 3a, por mais de 10 segundos, pode produzir fotocoagulação (dano permanente) da retina. Por isso, é importante manter os chamados "laser pointers" (apontadores a laser) distantes das crianças. Embora seja rara a exposição acidental superior a 2 segundos, o risco não deve ser desprezado para os adultos. "Pointers on Laser Pointers" Ophthalmology, vol. 104, no 8, 8/97
* Pessoas com diabetes melito devem submeter-se, periodicamente, à avaliação das dosagens sangüíneas/urinárias, etc., relacionadas ao controle da sua doença e também a um exame de fundo de olho (fundoscopia), sob dilatação pupilar. Assim procedendo evitarão as temíveis complicações na retina, decorrentes da retinopatia diabética, uma vez que detectadas precocemente podem ser tratadas e controladas pelo oftalmologista, por meio de raio laser, específico para este fim, tratamento este denominado de fotocoagulação de retina a laser. ADA (American Diabetes Association)
* Somente os médicos oftalmologistas (médicos oculistas) estão aptos a realizar o exame oftalmológico completo, ou em suas partes, com anamnese, exames diagnósticos e tratamentos, que poderão ser por meio de lentes de grau, seja na forma de óculos ou de lentes de contato, e a prescrição/receita médica para tal só pode ser realizada/formulada por médicos oftalmologistas, conforme Decretos Lei de 1932 e 1934. Ser examinado por médico é uma vantagem, um avanço em relação a muitos outros países, onde pessoas com doenças oftalmológicas e sitêmicas gerais correm riscos de serem examinadas por profissionais não médicos.
* Receitas de óculos ou de lentes de contato feitas por computador (auto-refrator, ou refrator automatizado) têm um índice de acerto de apenas 33%. Não é um método adequado para quem deseja ter uma receita de alta precisão e não tem pressa. É aconselhável que o exame de grau seja feito pelo método tradicional (mais detalhado, preciso e sensível), usando o aparelho chamado refrator de Greens, ou em alguns casos especiais, até mesmo a velha, porém, não menos valiosa, caixa de lentes e armação de prova. Uma grande desvantagem do método automatizado, em geral, é que ele afasta o médico do paciente! O médico lê um papel impresso por uma máquina manuseada por uma pessoa treinada para tal, mas não médico, ao invés de examinar de perto seu paciente com seu "olho clínico". É a "high tech" invadindo a Medicina, com desvantagens evidentes. Claro, que o método automatizado tem suas vantagens: quando se quer examinar um número considerável de pacientes no menor tempo possível (orfanatos, quartéis, medicina socializada, etc.), pacientes iletrados, ou de baixo índice de inteligência ou até mesmo aqueles que tem aversão/trauma (nervosos, impacientes) com o próprio exame de grau tradicional. Cuidado para não confundir eficiente com "moderno" e procurar questionar a real utilidade desta tecnologia. Esta "aparatologia", nem sempre virtuosa, converte o oftalmologista a um técnico médico.
* Para quem usa lentes de contato, qualquer que seja o tipo (mesmo as, aparentemente inofensivas, descartáveis), antes de tudo, é importante consultar um oftalmologista. Somente ele pode em conjunto com seu paciente, após os exames pertinentes, indicar o melhor tipo de lentes de contato e o modo mais adequado de usá-las e mantê-las. E mais ainda, é ele quem deve, periodicamente, fazer o acompanhamento e controle do usuário de lentes de contato. Jamais, deve-se substituir o médico oculista (ou oftalmologista) por qualquer outra pessoa no tocante às lentes de contato. Até para se saber qual solução pode substituir aquela já recomendada inicialmente, evite perguntar ou aceitar conselhos de leigos ou de pessoas travestidas de "profissionais" paramédicos, balconistas, etc. Habitue-se a vincular a aquisição de suas lentes de contato com um exame oftalmológico revisional e periódico. Adaptação de lentes de contato é um ato médico. Lembre-se: lente de contato é uma prótese removível em contato íntimo com sua córnea, um tecido do corpo humano sensível, delicado e insubstituível (exceto por transplante de córnea). Somente o médico está capacitado, profissional e legalmente, para realizar os testes de lentes de contato, escolhendo a que melhor se adapta ao olho, levando-se em conta a acuidade visual, diâmetro, espessura e curvatura da córnea, além do índice de transmissibilidade de oxigênio (Dk/t) e taxa de hidratação. Lentes de contato são corpos estranhos sob controle. Assim, seu uso necessita, além de uma indicação correta, avaliações periódicas para evitar complicações (lesões ou úlceras de córnea, reações tóxico-alérgicas), que poderão afetar seriamente a visão. A detecção precoce desses problemas pelo médico permite o seu pronto tratamento e solução. As ópticas não estão autorizadas a vender lentes de contato baseadas nas receitas de óculos, porque a prescrição destes está relacionada somente a um parâmetro: o grau. As lentes de contato, principalmente as gelatinosas ou hidrofílicas, dependem de cinco parâmetros, a saber, grau (ou dioptria), raio de curvatura, diâmetro, taxa de hidratação e coeficiente de transmissibilidade de oxigênio (DK/t), este último um índice importante em caso de graus mais altos. Profissionais não médicos desconhecem o estado de saúde dos olhos para aconselhar, arbitrariamente, o uso de um corpo estranho em um órgão tão nobre, levando em conta todos estes parâmetros. Caso você tenha realizado uma adaptação de lentes de contato em “centros de adaptação” ou lojas comerciais, você foi vítima de exercício ilegal de medicina. Você pode e deve fazer uma representação ao Ministério Público local, com base no Parecer n.º 1110/2000, da ANVISA, para que as medidas cabíveis sejam tomadas.
* É possível, lermos em bulas de remédios de uso, principalmente, via oral, a seguinte orientação: "Este medicamento não deve ser usado em pacientes com glaucoma." Pacientes com esta doença ocular, indevidamente, rejeitam estes remédios, muitas vezes úteis, devido a esta informação constante em suas bulas. Entretanto, é preciso esclarecer, que existem 2 tipos de glaucomas, o glaucoma de ângulo aberto (também denominado crônico) e o glaucoma de ângulo estreito (também chamado de agudo). Este último é o tipo que não tolera a influência de certas drogas usadas em medicina geral e que trazem esta contra-indicação em suas bulas. Através de vários mecanismos, estas drogas acabam provocando o fechamento do referido ângulo (ângulo formado entre a íris e a córnea), com o desencadeamento de uma crise de glaucoma agudo, com dor ocular severa, vermelhidão ocular, embaçamento e, às vezes, até vômitos, em curto período de tempo (horas), obrigando a pessoa a procurar um oftalmologista de modo emergencial. Drogas receitadas para diversas condições tais como depressão, alergia e hipertensão arterial podem causar essa cascata de eventos em olhos com ângulos estreitos. Os clínicos gerais, devem estar alertas a estes fatos. Algumas drogas que oferecem este perigo nestes olhos predispostos são: Anticolinérgicos (medicamentos para cólicas biliares, gastro-intestinais, tipo Atroveran, Pro-Bantina, etc.); Sulfas; Aspirina (AAS, Buferin, Melhoral); Fenotiazinas (triflupromazina - Vesprin); Anti-epilépticos (topiramato - Topamax); Tranquilizantes (doxepina - Senequan, haloperidol - Haldol); Antidepressivos tricíclicos (amitriptilina - Elavil, Amitril; imipramina - Tofranil; protriptilina - Vivactil); Anti-histamínicos (orfenadrina - Norgesic); Antiparkinsonianos (levodopa); Anti-arrítmicos cardíacos (disopiramida - Norpace); Anti-hipertensivos (clonidina - Catapres; espironolactona - Aldactone); Vasodilatadores coronarianos (propatilnitrato - Sustrate). Physicians' Desk Reference
*A síndrome ocular de computador é uma condição caracterizada por sintomas oculares e visuais associados com uso prolongado de computador. Estes sintomas incluem irritação dos olhos, tal como coceira e sensação de secura dos mesmos, fadiga, incluindo sensação de peso das pálpebras e testa e dificuldade de focalização. Outros sintomas desta condição são dores de cabeça, das costas e espasmos da musculatura. Todos estes sintomas podem ocorrer pela diminuição da freqüência do ato de piscar, após o início de uso do computador por um período de tempo prolongado. Como resultado os olhos tendem ao ressecamento e ao desconforto. A síndrome é reversível se a cada 2 horas, aproximadamente, interrompermos a atividade em questão por um tempo suficiente. Pode-se usar lubrificantes oculares para restaurar a umidificação ocular, sempre após um exame oftalmológico para afastar outras causas dos mesmos sintomas.
Muitas pessoas que acreditam ter problema de vista cansada devido ao trabalho em frente ao computador podem, na verdade, estar estressadas, segundo pesquisadores italianos. Médicos do Instituto de Medicina Ocupacional da Universidade de Sassari, que publicaram o estudo no British Journal Occupational and Environmental Medicine, ouviram 212 bancários com os mesmos hábitos. Trinta por cento daqueles que reclamaram de vista cansada ou visão turva tinham problemas no trabalho e baixa auto-estima. Quase nenhum dos funcionários, que se disseram felizes no emprego, tinha problemas de visão. ''Parte das reclamações é expressão indireta do desconforto psicológico relacionado às condições de trabalho'', dizem os pesquisadores.